domingo, 22 de novembro de 2009

Tributo ao Camponês


Surge na paisagem
um camponês de passagem
fitando a fazenda sem fim.

Em seu peito não há paz
É sua convicção que o faz
caminhar decidido assim.

Pra que você entenda

o ódio dele pela fazenda
só sendo pobre enfim.

Solitário, o lavrador avança
um cavaleiro contra o castelo
tendo a foice como lança.

Os pistoleiros acham graça
enquanto deslizam cartuchos
pros seus rifles de caça.

Mas o camponês não estava sozinho.
Do horizonte que parecia deserto
mais pessoas a caminho.

O sorriso do capataz,
agora então se desfaz.

O ímpeto do povo
que derrubou grades e portões
fez cair também
os jagunços valentões.

Chega a polícia e seus pelotões
cujas fardas camufladas
só não camuflam as intenções.

Mas o camponês que enfrenta
malária e onça parda,
não tem medo de bicho
nem de jagunço de farda.

A terra que antes fôra
prostituída pelo fazendeiro
volta agora as mãos do povo
seu destino verdadeiro.

Dela agora brotam lares
alimentos e esperança.

Porque não é questão de esperar
quem luta é quem sempre alcança.

Carlos Latuff