segunda-feira, 27 de setembro de 2010

This is secret...


Mimadas também sentem saudade.

Lá fora passa o tempo sem você


"Uma pessoa olhando para um celular que não toca - não há cena mais idiota. Os celulares foram justamente inventados para que ninguém precise mais ficar aguardando uma ligação ao lado do telefone." (Fernanda Young)

domingo, 26 de setembro de 2010

Nosso amor é lindo?

Coração apertado e lágrimas que custam a sair. É assim que me sinto desde que cheguei em casa ontem. Estava precisando mesmo ouvir um reggae pra limpar a alma, e fui. Qual a primeira coisa que vejo? Você, com aquela camisa que sempre usava nas quintas à tarde, quando podíamos ir sem farda pra escola, ou quando a gente se encontrava na praça, etc. E, claro, fumando. Eu corri pros seus braços, pro abraço, tentando ser tragada como seu cigarro, mas sem ser jogada pra fora como fui sempre.



Poucos minutos depois, olhei pra trás. Você já tinha saído. Durante o show, saiu e chegou várias vezes. Quando queria, falava alguma coisa. Igual no dia-a-dia desses três anos: 2008, 2009 e 2010. Você ia, e me deixava bem mais mulher. E eu dançava tão bem que nem precisava beber. Mas, quando você chegava, era como se eu tivesse que parar para ficar olhando. Sendo mais sincera, contemplando cada pedaço de você que eu nunca tive.


Tenho pensado bastante sobre nós e o que eu, de fato, sinto por você. Eu amei em segredo, me declarei, escrevi cartas, adaptei um livro, ouvi Engenheiros do Hawaii e fiquei com outros caras para conseguir te esquecer. Quando penso que não, choro três horas seguidas lembrando tudo. Depois, escrevi mais textos e fiquei ansiosa pra te reencontrar. Às vezes penso que criei em você o personagem principal dos meus textos, e, logo, a desculpa ou justificativa para que nenhum relacionamento futuro dê certo: “não deu certo porque eu gosto é dele”. Ou, ainda, o orgulho melancólico de bater no peito e dizer: “eu vivi uma história de amor triste, mas bonita, e ela me rendeu muitas cachaças poéticas”, onde cabe perfeitamente aquela frase de Caio Fernando Abreu: “não, meu bem, não adianta. Lá vem o amor nos dilacerar de novo”.


Entretanto, não estou disposta a viver eternamente acorrentada no seu calcanhar. Até porque nada me acorrenta, muito menos um “amor nazi-fascista: você se esconde e eu sigo sua pista” (Engenheiros do Hawaii).



Outro futuro se aproxima. Depois de muito tentar, de muito errar e acertar, um novo amor brotará entre os girassóis. Para esse futuro, meu bem, já estou de malas prontas. Beijos.


"Amor de verdade liberta. Vício é jaula." (Martha Medeiros)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Por entre girassóis

Quem escreve sabe. Não se escreve por escrever, pelo menos eu não o faço. Mas se isso ocorre, quando ocorre, raramente encontra-se coração nesses versos ou linhas. Para mim, a poesia quer brotar dos poetas, como as flores do campo. Escrevendo posso contar tudo sobre tudo, e sendo assim, quando falo de mim, me sentir aliviada ou exausta. Às vezes posso conversar horas com minha melhor amiga e independente dela entender ou não, preciso passar aquilo pro papel para ME compreender – aí está o alívio. Nesse sentido, posso ficar tanto tempo escrevendo pra tentar me entender e, mesmo depois do ponto final, sair dali me entendendo muito menos – aí está a exaustão.

Todos nós temos problemas, só que na maioria das vezes não sabemos enfrentá-los da forma correta. Ou simplesmente queremos sair da rotina, do caos das cidades grandes, enfim... E fugimos! Alguns vão às compras, outros viajam para qualquer lugar, tudo para esquecer os problemas. Comigo isso também acontece, mas prefiro dizer que me teletransporto. Geralmente é para um campo de girassóis.


Lá eu encontro o amor pelo qual procuro e para quem destino várias entrelinhas dos meus textos. Quando penso que não, lá está ele, que já me espera há um tempo. Ele me diz que sou sua musa, personagem das histórias que viveu e viverá, que escreveu e escreverá... Diz também que só sou sua musa sendo quem realmente sou, dançando côco de roda com as minhas sandálias de couro e meu vestido azul da cor de maravilha nua.


Um pouco à frente do campo, há um rio onde nos banhamos. Você penteia meus cabelos para em seguida se perder entre eles. Já posso sentir seu toque. Bem devagar. Junto de beijos quentes. E quando a noite vem, traz consigo a poesia. Essa por sua vez, chega sem nenhuma dificuldade. Deitados lado a lado, conto para as estrelas nossa história e o que talvez esteja por vir. O buquê que você me deu está no meu colo. Pego, então, alguns girassóis e escrevo nas pétalas os belos dias que vivemos juntos. E, por fim, como se fossem lençóis, vamos nos cobrir com elas para que “seja eterno enquanto dure”.

“... Então de todo amor não terminado

Seremos pagos em inumeráveis noites de estrelas.” (Maiakovski)


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Pranto para comover Jonathan


Os diamantes são indestrutíveis?
Mais é meu amor.
O mar é imenso?
Meu amor é maior,
mais belo sem ornamentos
do que um campo de flores.
Mais triste do que a morte,
mais desesperançado
do que a onda batendo no rochedo,
mais tenaz que o rochedo.
Ama e nem sabe mais o que ama.

Adélia Prado

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Faz parte.

Hoje é seu aniversário. Você foi pra sua cidade natal, para manter a tradição. Deve ter bebido com os amigos, estado um pouco mais com seus avós - que te consideram um bebê, e feito tudo mais que gosta.

Você não tem telefone e, talvez, mesmo que tivesse não me daria o número. Tudo bem. Também não vou te deixar recado. Algumas pessoas te deixaram, mas eu não. Assim como você, vou fingir que esqueci. Mas, há meses que lembro dessa data. Entretanto, com todos os silêncios que você me deu, e, continua me dando, te desejo tudo de bom que eu não consiga explicar.


Hoje seria um ótimo dia para assistir Chaves, rir, comentar, assistir e rir de novo. Você imitaria Quico e eu Chiquinha. Poderíamos ouvir um reggae e conversar em silêncio na varanda do seu quarto, depois de desviar das suas meias jogadas no chão. Nós sentiríamos frio, mas nenhum pediria um abraço ao outro. Só conversaríamos em silêncio. E conversaríamos, conversaríamos, conversaríamos... tudo em silêncio, sem que os nossos olhos nem precisassem se encontrar. Eu te ligaria diariamente, pra lembrar das atividades e provas da escola, e, quem sabe, você até poderia ir estudar lá em casa. Mas, 2009 já acabou. Você está no cursinho, e eu no segundo semestre da faculdade.

Hoje folheei o livro que escrevi pra você. E meu coração cantou Engenheiros do Hawaii.

"Devolva-me o que você levou, ou leve-me contigo... Perca-se comigo!"

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Votos de submissão


Caso você queira posso passar seu terno,
aquele que você não usa por estar amarrotado.
Costuro as suas meias para o longo inverno...
Use capa de chuva, não quero ter você molhado.
Se de noite fizer aquele tão esperado frio poderei cobrir-lhe com o meu corpo inteiro.
E verás como minha a minha pele de algodão macio, agora quente,
será fresca quando janeiro.
Nos meses de outono eu varro a sua varanda,
para deitarmos debaixo de todos os planetas.
O meu cheiro te acolherá com toques de lavanda
- Em mim há outras mulheres e algumas ninfetas -
Depois plantarei para ti margaridas da primavera
e aí no meu corpo somente você e leves vestidos,
para serem tirados pelo total desejo de quimera.
Os meus desejos irei ver nos teus olhos refletidos.
Mas quando for a hora de me calar e ir embora sei que,
sofrendo, deixarei você longe de mim.
Não me envergonharia de pedir ao seu amor esmola,
mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim.
(Nem vou deixar - mesmo querendo - nehuma fotografia.
Só o frio, os planetas, as ninfetas e toda a minha poesia).

Fernanda Young.