domingo, 26 de setembro de 2010

Nosso amor é lindo?

Coração apertado e lágrimas que custam a sair. É assim que me sinto desde que cheguei em casa ontem. Estava precisando mesmo ouvir um reggae pra limpar a alma, e fui. Qual a primeira coisa que vejo? Você, com aquela camisa que sempre usava nas quintas à tarde, quando podíamos ir sem farda pra escola, ou quando a gente se encontrava na praça, etc. E, claro, fumando. Eu corri pros seus braços, pro abraço, tentando ser tragada como seu cigarro, mas sem ser jogada pra fora como fui sempre.



Poucos minutos depois, olhei pra trás. Você já tinha saído. Durante o show, saiu e chegou várias vezes. Quando queria, falava alguma coisa. Igual no dia-a-dia desses três anos: 2008, 2009 e 2010. Você ia, e me deixava bem mais mulher. E eu dançava tão bem que nem precisava beber. Mas, quando você chegava, era como se eu tivesse que parar para ficar olhando. Sendo mais sincera, contemplando cada pedaço de você que eu nunca tive.


Tenho pensado bastante sobre nós e o que eu, de fato, sinto por você. Eu amei em segredo, me declarei, escrevi cartas, adaptei um livro, ouvi Engenheiros do Hawaii e fiquei com outros caras para conseguir te esquecer. Quando penso que não, choro três horas seguidas lembrando tudo. Depois, escrevi mais textos e fiquei ansiosa pra te reencontrar. Às vezes penso que criei em você o personagem principal dos meus textos, e, logo, a desculpa ou justificativa para que nenhum relacionamento futuro dê certo: “não deu certo porque eu gosto é dele”. Ou, ainda, o orgulho melancólico de bater no peito e dizer: “eu vivi uma história de amor triste, mas bonita, e ela me rendeu muitas cachaças poéticas”, onde cabe perfeitamente aquela frase de Caio Fernando Abreu: “não, meu bem, não adianta. Lá vem o amor nos dilacerar de novo”.


Entretanto, não estou disposta a viver eternamente acorrentada no seu calcanhar. Até porque nada me acorrenta, muito menos um “amor nazi-fascista: você se esconde e eu sigo sua pista” (Engenheiros do Hawaii).



Outro futuro se aproxima. Depois de muito tentar, de muito errar e acertar, um novo amor brotará entre os girassóis. Para esse futuro, meu bem, já estou de malas prontas. Beijos.


"Amor de verdade liberta. Vício é jaula." (Martha Medeiros)

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