sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Por entre girassóis

Quem escreve sabe. Não se escreve por escrever, pelo menos eu não o faço. Mas se isso ocorre, quando ocorre, raramente encontra-se coração nesses versos ou linhas. Para mim, a poesia quer brotar dos poetas, como as flores do campo. Escrevendo posso contar tudo sobre tudo, e sendo assim, quando falo de mim, me sentir aliviada ou exausta. Às vezes posso conversar horas com minha melhor amiga e independente dela entender ou não, preciso passar aquilo pro papel para ME compreender – aí está o alívio. Nesse sentido, posso ficar tanto tempo escrevendo pra tentar me entender e, mesmo depois do ponto final, sair dali me entendendo muito menos – aí está a exaustão.

Todos nós temos problemas, só que na maioria das vezes não sabemos enfrentá-los da forma correta. Ou simplesmente queremos sair da rotina, do caos das cidades grandes, enfim... E fugimos! Alguns vão às compras, outros viajam para qualquer lugar, tudo para esquecer os problemas. Comigo isso também acontece, mas prefiro dizer que me teletransporto. Geralmente é para um campo de girassóis.


Lá eu encontro o amor pelo qual procuro e para quem destino várias entrelinhas dos meus textos. Quando penso que não, lá está ele, que já me espera há um tempo. Ele me diz que sou sua musa, personagem das histórias que viveu e viverá, que escreveu e escreverá... Diz também que só sou sua musa sendo quem realmente sou, dançando côco de roda com as minhas sandálias de couro e meu vestido azul da cor de maravilha nua.


Um pouco à frente do campo, há um rio onde nos banhamos. Você penteia meus cabelos para em seguida se perder entre eles. Já posso sentir seu toque. Bem devagar. Junto de beijos quentes. E quando a noite vem, traz consigo a poesia. Essa por sua vez, chega sem nenhuma dificuldade. Deitados lado a lado, conto para as estrelas nossa história e o que talvez esteja por vir. O buquê que você me deu está no meu colo. Pego, então, alguns girassóis e escrevo nas pétalas os belos dias que vivemos juntos. E, por fim, como se fossem lençóis, vamos nos cobrir com elas para que “seja eterno enquanto dure”.

“... Então de todo amor não terminado

Seremos pagos em inumeráveis noites de estrelas.” (Maiakovski)


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