quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Agonias e anseios

Você não devia me olhar assim, como tem me olhado ultimamente. Não devia ter um sorriso tão bonito, nem ser tão inteligente. Você não podia ficar estranho quando tira o óculos, nem ter unhas tão bem feitas. Muito menos ter um jeito único de mexer as mãos. Você não devia ser tão misterioso.


Eu não devia me sentir tão vigiada, envergonhada, e quase que despida quando você me olha assim, como tem me olhado ultimamente. Eu não podia me embriagar no seu sorriso, e muito menos me sentir tão envolvida pela sua inteligência. Eu não devia querer limpar o seu óculos, nem desejar ter unhas iguais às suas. Eu não devia desejar tanto ser tocada pelas tuas mãos, essas que têm forma e espessura únicas. Eu não devia querer, por um segundo, abandonar a faculdade para me tornar perita, só para desvendar esse mistério que é você.


A razão ou o coração: o que deve prevalecer? A resposta não sei, deixo-a para os filósofos. Entretanto, no seu caso, às vezes o coração tenta se sobressair, mas logo vem a razão e reprime-o. Mesmo assim, quem me garante que essa razão repressora está certa? Pois é, talvez seja melhor não pensar nisso e deixar essa e outras respostas também para os filósofos. São tantas perguntas... Tantas respostas que não consigo encontrar... Você, que é tão inteligente, poderia me ajudar se não tivesse me afastado tanto de você...

Seria bom se você viesse, eu ficaria feliz. Se você vem ou não, pouco importa. O que eu sei é que me basta um mínimo sinal da tua chegada para que tudo mude. Eu passo a acordar no meio da noite e perder o sono pensando em você. As plantas balançam de outra forma, quase que dançando. Até o vento me toca diferente. Se está frio, quero ter você aqui para dormirmos juntos. Na verdade, eu não ia dormir. Ia esperar pra ver você dormir. Depois, eu iria pegar sua camisa verde, aquela que eu cheirei escondida, pra repetir a dose, talvez (quem sabe?)...

"Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração..." (Saint Exupéry)





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