segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Daqui pro mundo


Parece que foi ontem: lá estava eu, na cerimônia da escola onde os aprovados são apresentados como exemplos para os então concluintes. Dias depois, chorava a despedida de um namorado que hoje nem existe mais. Arrumava as malas que continham não só roupas, mas muitos espaços vazios que seriam preenchidos só após chegar em terra firme.

Geralmente desprezamos os ensinamentos dos pais, provavelmente porque achamos que sempre vamos tê-los por perto, pra que resolvam tudo para nós. Mas, ao chegar em Campina, vi que tudo, de fato, fazia sentido: devo ter cuidado ao atravessar a rua, não falar com estranhos, me alimentar bem e não deixar que ninguém pegue carona em mim nos trabalhos da faculdade. Morar com família nem sempre é bom, mas morar com gente que você não conhece é pior ainda. Com certeza, é melhor ouvir sua tia gritando pra que você acorde, do que se descobrir que você deu suas "pérolas aos porcos".

Sempre quis morar em João Pessoa, desde menina. A filha-neta-sobrinha prodígio iria morar na capital. Mas, a química e a física me impediram. Hoje, agradeço a elas. Moro, diria eu, numa cidade maravilhosa, assim como o Rio de Janeiro. Violenta sim, mas cheia de felicidades pra me proporcionar. Aqui, não só conheci pessoas maravilhosas, como ampliei em mil vezes os meus conhecimentos em relação à tudo. Principalmente, à cultura.

Campina Grande é e respira cultura. Entretanto, ainda precisa de muito apoio pra que, esse que é um dos fatores mais importantes na libertação de um povo, se desenvolva. Cada final de semana que vou em Patos, entre uma discussão e outra, posso dizer a meu pai que Campina tem sido minha melhor professora depois dele. Entrevistar Lourdes Ramalho, ou Dona Lourdes - como chamo uma das maiores teatrólogas brasileiras - foi, até então, a melhor experiência da minha pequena vida profissional.

Ainda sobre os ensinamentos, é sempre bom lembrar de andar com um casaco na bolsa. Cerveja é sempre uma boa companhia, mesmo quando se está gripada. Diferentemente de Patos, aqui não posso sair a hora que eu quiser, muito menos chegar quando bem entender. Só devo sair se tiver alguém que me acompanhe até em casa, principalmente de noite, o que é um dos principais motivos para que eu saia tão pouco. Antes de dormir, devo trancar bem as portas e as janelas, que é pra evitar um resfriado ou algum elemento inoportuno tentando me assaltar pela quarta vez.

Esses dias ouvi minha tia, a que morou aqui mais de 10 anos e que vive viajando por aí, dizer: "Bianca, querida, você já tem sérios indícios de quem sai de casa pra não voltar mais, assim como eu". Pois bem, ela deve ter razão. Quando olho "da janela lateral do quarto de dormir" para os prédios que me cercam e estrelas que me olham, até incoscientemente canto: "Aqui é meu lugar, eu quero te dizer: Campina Grande, eu adoro amar você!".

Assim, só tenho a agradecer à essa cidade que preencheu vários espaços vazios das malas que trouxe do sertão, sejam eles em forma de pessoas e/ou momentos inesquecíveis. Diante disso, como diria um poeta chato e pernambucano, vim "embora - pra cá - sacudir da vida um beijo sem pensar no que será".

Bianca Dantas é natural de Patos
e apaixonada por Campina Grande.

2 comentários:

  1. "Geralmente desprezamos os ensinamentos dos pais, provavelmente porque achamos que sempre vamos tê-los por perto, pra que resolvam tudo para nós."

    Pois é tão dificil valorizar o que temos perto, assim como as vezes deixamos de lado algo que conquistamos...

    Lindo texto, linda declaração por Campina!
    Que a vida de andanças perdure!
    E que os nossos braços acolham todo esse querer bem!

    (:

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  2. É verdade, só percebemos o valor destes ensinamentos quando começamos a vivenciá-los, morar sozinha faz amadurecer, e morar com desconhecidos mais ainda já que nunca se sabe a verdadeira face das pessoas até que a máscara caia.

    Amei o texto, a declaração por essa cidade que não é o Rio de Janeiro, mas é a cidade maravilhosa!!

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