sábado, 5 de novembro de 2011

Dentro de um abraço


Onde é que você gostaria de estar agora, nesse exato momento?

Fico pensando nos lugares paradisíacos onde já estive, e que não me custaria nada reprisar: num determinado restaurante de uma ilha grega, em diversas praias do Brasil e do mundo, na casa de bons amigos, em algum vilarejo europeu, numa estrada bela e vazia, no meio de um show espetacular, numa sala de cinema assistindo à estréia de um filme muito esperado e, principalmente, no meu quarto e na minha cama, que nenhum hotel cinco estrelas consegue superar – a intimidade da gente é irreproduzível.

Posso também listar os lugares onde não gostaria de estar: num leito de hospital, numa fila de banco, numa reunião de condomínio, presa num elevador, em meio a um trânsito congestionado, numa cadeira de dentista.
E então? Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?

Meu palpite: dentro de um abraço.

Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.

Que lugar melhor para um recém-nascido, para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém-contratado? Dentro de um abraço nenhuma situação é incerta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente em meio ao paraíso.

O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz humana nenhuma se faz necessária, está tudo dito.

Que lugar no mundo é melhor para se estar? Na frente de uma lareira com um livro estupendo, em meio a um estádio lotado vendo seu time golear, num almoço em família onde todos estão se divertindo, num final de tarde à beira-mar, deitado num parque olhando para o céu, na cama com a pessoa que você mais ama?

Difícil bater essa última alternativa, mas onde começa o amor senão dentro do primeiro abraço? Alguns o consideram como algo sufocante, querem logo se desvencilhar dele. Até entendo que há momentos em que é preciso estar fora de alcance, livre de qualquer tentáculo. Esse desejo de se manter solto é legítimo. Mas hoje me permita não endossar manifestações de alforria. ...recomendo fazer reserva num local aconchegante e naturalmente aquecido: dentro de um abraço que te baste.
 
Trecho do livro Feliz por nada, de Martha Medeiros.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

NAMORE UM BARRIGUDINHO!

Tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de conhecer um rapaz, ficou com ele algumas vezes e já está começando a imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me escute! Na próxima vez que encontrá-lo, tente disfarçadamente descobrir como é sua barriga. Se for musculosa, torneada, estilo "tanquinho", fuja! ... Comece a correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. É fria, vai por mim. Homem bom de verdade precisa, obrigatoriamente, ostentar uma barriguinha de chopp. Se não, não presta. Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima de tudo (como fazem os malditos metrossexuais) , acabaram cultivando uma pancinha adorável. Esses, sim, são pra manter por perto. E eu digo por quê. Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma boate e dançando como um idiota, em cima do balcão. Se fizer isso, é pra fazer graça pra turma e provavelmente será engraçado, mesmo. 

Já os "tanquinhos" farão isso esperando que todas as mulheres do recinto caiam de amores - e eu tenho dó das que caem. Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou coca-cola, tudo bem também. Mas você nunca os verá pedindo suco. Ou, pior ainda, um copo com gelo, pra beber a mistura patética de vodka com `clight´ que trouxe de casa. E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação. E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a desejar. Você nunca irá ouvir um ah, amor, "Quarteirão" é gostoso, mas você podia provar uma "McSalad" com água de coco. Nunca! Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o tempo todo, você também não precisa estar. Mais uma vez, repito: não é pra chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma gordurinha aqui e ali não matará um relacionamento. 

Se ele souber cozinhar, então, bingo! Encontrou a sorte grande, amiga. Ele vai fazer pra você todas as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato. Pelo contrário, ficará feliz. Outra coisa fundamental: Homens barrigudinhos são confortáveis! Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela. Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta. Terrível! Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho, isso que é conforto. E na hora de dormir de conchinha, então? Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica sensacional. Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos do mundo. Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a barreira do físico. E eles aprenderam a conversar,a ser bem humorados, a usar o olhar e o sorriso pra conquistar. É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher feliz. 

CHEGA DE VIADAGEM! O mundo inteiro sabe que quem gosta de homem bonito são os viados. Mulher quer homem inteligente, carinhoso e boa praça. Chega de ter a consciência pesada após beber aquela cervejinha, ou aquele vinho, e comer aqueles petiscos. Chegou a sua vez!! Salada, é o caralho!! Passe a diante para todos os barrigudos e simpatizantes!! P.S.: E mandamos um recado para você "sarado gostosão": Enquanto você malha, sua namorada está tomando cerveja num motel, com um barrigudinho. =)



(CARLA MOURA
PSICÓLOGA, ESPECIALISTA EM SEXOLOGIA)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Outro tipo de mulher nua

Talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher se despir de verdade - emocionalmente. Nudez pode ter um significado diferente. Muito mais intenso é assistir a uma mulher desabotoar suas fantasias, suas dores, sua história. É erótico ver uma mulher que sorri, que chora, que vacila, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente. Uma mulher que diz o que pensa, o que sente e o que pretende, sem meias-verdades, sem esconder seus pequenos defeitos - aliás, deveríamos nos orgulhar de nossas falhas, é o que nos torna humanas, e não bonecas de porcelana. Arrebatador é assistir ao desnudamento de uma mulher em quem sempre se poderá confiar, mesmo que vire ex, mesmo que saiba demais.

Não é fácil tirar a roupa e ficar pendurada numa banca de jornal mas, difícil por difícil, também é complicado abrir mão de pudores verbais, expôr nossos segredos e insanidades, revelar nosso interior. Mas é o que devemos continuar fazendo. Despir nossa alma e mostrar pra valer quem somos, o que trazemos por dentro. Não conheço strip-tease mais sedutor.

Martha Medeiros

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Escrever para Fernanda Young

É fácil se conformar em não saber pintar, tocar piano, dançar.
Mas escrever deveria ser um sentido humano,
como a visão, audição e os outros todos.
Eu, por exemplo, trocaria minha audição pelo dom da escrita sem pestanejar.
Imagina que glória suprema: conseguir esclarecer os sentimentos e ainda deixá-los escritos.
Não sei bem por quê,
mas eu sempre achei que as coisas escritas são mais eternas
que qualquer outra forma de arquivar, guardar, registrar, mais que a fotografia.



F.Y

sábado, 9 de julho de 2011

Ao ébano (3)


Hoje, depois de você me fazer a mulher mais feliz do mundo, só me resta uma coisa a te dizer: eu sempre acreditei em nós. E eu luto por aquilo que acredito.

09.07.2011 ♥

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Porque era noite de São João

"Olha pro céu, meu amor. Vê como ele está lindo! Olha praquele balão multicor, como no céu vai sumindo..."


Hoje seria um dia daqueles em que você acorda cedo porque quer, não porque precisa. E ainda ri do fato. Hoje seria o dia de afastarmos os sofás pros cantos, que é pra sobrar mais espaço pra dançar na sala. Dia de desempoeirar tanto a vitrola quanto os discos, que é pra Luiz Gonzaga poder cantar sem engasgar, certo? O almoço ficaria por conta da minha mãe. Mas minha avó de vez em quando daria uma carreira na cozinha pra ver em que estado a comida estava. Que tal mungunzá com charque? Bianquinha adorava!


Tudo encaminhado, minha vó voltaria pra sala e trataria logo de arrastar o chinelo com meu avô, e mesmo que acabassem cochilando, não parariam de dançar. Hoje era dia de Bianquinha calçar as sandálias da mãe, mesmo que fossem modelos diferentes, passar um batom vermelho, mesmo que ficasse borrado, e colocasse o chapéu de palha do seu avô, aquele que ele usava pra se proteger do sol quando ia ao mercado. E para seu par, acabava por sobrar somente o gatinho Mimi, o gigante amarelo.


Assim o dia corria inteiro, com pequenas pausas para comer um milho cozido ou canjica com canela, até entrar a noitinha. E Luiz Gonzaga lá tocando, voínha só trocava os discos. O jantar poderia ser cuzcuz com leite e carne de sol, porque tinha que ser algo que Bianquinha gostasse. Terminado o jantar, eu correria para a calçada com meu irmão para soltar os fogos, já que era um dos poucos momentos em que ficávamos juntos sem brigar por muito tempo. Poderíamos começar  pelos chumbinhos ou as chuvinhas. Depois, talvez, ele conseguisse me encorajar a soltar um traque...

Poderia, quem sabe, até pular elástico hoje (já que eu era imbatível no bairro), mas o que eu queria mesmo era pular a fogueira, igual meu irmão fazia. Mas como minha vó ficava me pastorando do portão, o que restava era pular as brasas...


Então minha vó diria a frase mais temida da noite: "Vamos brincar de brasa? Cada cá nas suas casa!". Eu, obediente, passaria logo pra dentro. Mas antes de entrar, olharia uma última vez pro céu. O São João pedia uma estrela cadente, e lá estava ela, passando bem no correr dos meus olhinhos de criança que só pediriam uma coisa naquela noite: que ela não acabasse.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Pesos, sensações e medidas

Me sinto leve como a brisa. Ao mesmo tempo, pesada como a primeira carga que se dá no celular recém comprado. E efêmera como o níquel ao se dissolver na água.

Me sinto incompleta, carta fora do baralho, caneta que falha, música que não toca mais. Nasço e morro dia após dia. O sol me chama pra sair e a lua pra eu refletir. O sol me põe em movimento, a lua me recolhe. Nasço e morro todos os dias apartir de sentimentos que me brotam ao coração como algo natural. Sou um aglomerado de sensações. Um vulcão prestes a entrar em erupção. Um copo que esborrota a gota d'água.


Já me renovei em braços, me afoguei em beijos, me perdi em corpos e naveguei em olhares. Mas não adiantou. Algo ainda me falta. Sou como um brinquedo pra montar. No entanto, as outras peças não se encaixam. Nenhuma sequer, nenhuma pra contar a história.


Hoje eu não pegaria ônibus nem filas. Dormiria um pouco mais, dançaria com as palavras, abraçaria mais as pessoas e plantaria flores em seus corações, cuidaria de uma criança, alimentaria um faminto, adotaria um cão sem dono, me renovaria nos seus braços, me afogaria nos seus beijos, navegaria em seus olhos, me perderia em seu corpo, faria seu café, desenharia sua barba me causando arrepios desejáveis, vestiria meu vestido mais bonito, tatuaria uma borboleta, acenderia uma vela e cantaria Um girassol da cor de seu cabelo. Mas falta você em mim. E muito pra mim é tão pouco, e pouco eu não quero mais.

domingo, 29 de maio de 2011

Ao ébano (2)


"Yo no te pido que me bajes
una estrella azul
sólo te pido que mi espacio
llenes con tu luz."
(Pablo Milanés)

Ouvir Pablo Milanés é lembrar de você e, acredite, não é pelo nome. É bom que estejamos perto, mesmo que ao mesmo tempo estejamos longe, mas isso só nós dois entedemos. Meu sorriso é seu sem nenhum esforço.

E sempre com reticências... 

domingo, 8 de maio de 2011

Poeminha sentimental

O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.

Mário Quintana


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Sobre o amor proletário


Amor Proletário - óleo sob tela
Marcos Pavón Estrada - artista cubano

"Também outra mulher suspirava de amor nesses dias agitados de São Paulo à espera da visita do ditador. Era a operária Mariana e também para ela a palavra amor tem um significado. Diverso daquele de Marieta, diferente do de Manuela. O amor para ela não quer dizer nem egoísmo, nem ávido desejo imperativo. Seu amor contém admiração e amizade, ela pensa em João como esposo e amante, antes de tudo, como companheiro, seu companheiro de cada dia. Seu amor é infinitamente mais complexo que o de Manuela, infinitamente mais profundo que o de Marieta. Sua grandeza está muito além dos limites do leito sonhado por Marieta, do casamento pelo qual anseia Manuela, seu amor abarca as fronteiras de todos os sentimentos, é a vida em toda a sua plenitude, e para ela significa ardente alegria, segura confiança, seu amor a ilumina e dá-lhe forças. Não lhe traz esse amor, nem por um instante sequer, nenhum sofrimento, não lhe causa nenhuma dor, não a faz ter medo, nem chorar, nem desesperar-se, não a faz menor como a Marieta, nem envergonhada como a Manuela. Seu amor lhe dá novas forças para suas árduas tarefas, seu amor a faz melhor a cada manhã, povoa-lhe de sonhos belos as noites fatigadas, as poucas horas de dormir."

Os ásperos tempos
Os subterrâneos da liberdade
Jorge Amado

sábado, 23 de abril de 2011

Entre olhares


"Seus olhos [...] se demoravam no rapaz
e ela não sabia como conter o fogo do seu olhar,
como conter sua voz apaixonada,
como não cair em seus braços,
como não lhe contar..."

Os subterrâneos da liberdade.
Jorge Amado.

terça-feira, 22 de março de 2011

Monólogo ao pé do ouvido

O que fazer com minhas vagas perguntas, insônias e confissões? Perguntar, dormir, confessar? O que fazer com a sensação de que nada disso vai adiantar já que eu sei que o abismo que nos separa é maior do que as palavras que escrevemos?


Estamos no mesmo barco, na mesma estrada, na mesma direção... Seguimos rumo a um só caminho e sabemos exatamente em que ruas devemos andar para alcançá-lo. No entanto, o caminho que me leva até você me parece um tanto obscuro, cheio de medos, perigos e ruas tortuosas, misteriosas...


O que fazer quando a luz no fim do túneo não aparece? O que fazer pra descobrir o que há por trás das nossas conversas ao telefone, ou o que você pensa sobre nós? O que fazer se um dia você acha meu beco sem saída e, quase sem querer, num tropeço de uma tarde de domingo, se perde todo em mim?

Ano passado você se perguntava o que seríamos "se fizéssemos um tudo para ver quem se admira perto"... Cá estou eu. Disposta, confusa, mas bem posta no meu lugar de quem quer te ver, te sentir, te escrever. De quem sente saudades de tudo, até das picuinhas bestas (por incrível que pareça) pra ver qual dos dois chamava mais atenção um do outro. E acima de tudo, de quem se arrepende de ter sumido, adiando, assim, um encontro que seria simples e puro, sem precisar de muita coisa que não fosse nós dois, nossas músicas e um pé de árvore.
 "Hold me close, cause I need you to guide me to safety." (Snow Patrol)