segunda-feira, 25 de abril de 2011

Sobre o amor proletário


Amor Proletário - óleo sob tela
Marcos Pavón Estrada - artista cubano

"Também outra mulher suspirava de amor nesses dias agitados de São Paulo à espera da visita do ditador. Era a operária Mariana e também para ela a palavra amor tem um significado. Diverso daquele de Marieta, diferente do de Manuela. O amor para ela não quer dizer nem egoísmo, nem ávido desejo imperativo. Seu amor contém admiração e amizade, ela pensa em João como esposo e amante, antes de tudo, como companheiro, seu companheiro de cada dia. Seu amor é infinitamente mais complexo que o de Manuela, infinitamente mais profundo que o de Marieta. Sua grandeza está muito além dos limites do leito sonhado por Marieta, do casamento pelo qual anseia Manuela, seu amor abarca as fronteiras de todos os sentimentos, é a vida em toda a sua plenitude, e para ela significa ardente alegria, segura confiança, seu amor a ilumina e dá-lhe forças. Não lhe traz esse amor, nem por um instante sequer, nenhum sofrimento, não lhe causa nenhuma dor, não a faz ter medo, nem chorar, nem desesperar-se, não a faz menor como a Marieta, nem envergonhada como a Manuela. Seu amor lhe dá novas forças para suas árduas tarefas, seu amor a faz melhor a cada manhã, povoa-lhe de sonhos belos as noites fatigadas, as poucas horas de dormir."

Os ásperos tempos
Os subterrâneos da liberdade
Jorge Amado

sábado, 23 de abril de 2011

Entre olhares


"Seus olhos [...] se demoravam no rapaz
e ela não sabia como conter o fogo do seu olhar,
como conter sua voz apaixonada,
como não cair em seus braços,
como não lhe contar..."

Os subterrâneos da liberdade.
Jorge Amado.