quarta-feira, 22 de junho de 2011

Pesos, sensações e medidas

Me sinto leve como a brisa. Ao mesmo tempo, pesada como a primeira carga que se dá no celular recém comprado. E efêmera como o níquel ao se dissolver na água.

Me sinto incompleta, carta fora do baralho, caneta que falha, música que não toca mais. Nasço e morro dia após dia. O sol me chama pra sair e a lua pra eu refletir. O sol me põe em movimento, a lua me recolhe. Nasço e morro todos os dias apartir de sentimentos que me brotam ao coração como algo natural. Sou um aglomerado de sensações. Um vulcão prestes a entrar em erupção. Um copo que esborrota a gota d'água.


Já me renovei em braços, me afoguei em beijos, me perdi em corpos e naveguei em olhares. Mas não adiantou. Algo ainda me falta. Sou como um brinquedo pra montar. No entanto, as outras peças não se encaixam. Nenhuma sequer, nenhuma pra contar a história.


Hoje eu não pegaria ônibus nem filas. Dormiria um pouco mais, dançaria com as palavras, abraçaria mais as pessoas e plantaria flores em seus corações, cuidaria de uma criança, alimentaria um faminto, adotaria um cão sem dono, me renovaria nos seus braços, me afogaria nos seus beijos, navegaria em seus olhos, me perderia em seu corpo, faria seu café, desenharia sua barba me causando arrepios desejáveis, vestiria meu vestido mais bonito, tatuaria uma borboleta, acenderia uma vela e cantaria Um girassol da cor de seu cabelo. Mas falta você em mim. E muito pra mim é tão pouco, e pouco eu não quero mais.

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