quarta-feira, 21 de março de 2012

O que é cinema?



Final do século XIX. A Revolução Industrial se expande pelo mundo afora, e a burguesia cria um universo cultural como forma de acelerar seu processo de dominação. É no contexto da busca pela captura do movimento que o cinema surge. Mas defini-lo é que é difícil. Talvez até perigoso e autoritário.

Na verdade, toda arte é complicada de se definir porque ela não existe em si, mas precisa ser criada e, assim, leva consigo um mundo de significações. É certo que existe uma intertextualidade, um diálogo entre as artes. O cinema, por sua vez, dentre as sete, é a mais completa porque contém todas as outras.

           Nesse sentido, como podemos dizer se um filme é bom ou ruim? Que critérios se usam? Quem define isso? Quem se “atreve” a tentar explicar a emoção, a magia do cinema? O fato é que, quando dei por mim, o cinema já fazia parte da minha vida há muito tempo, e já perdi a conta de quantas vezes quis ser o personagem de um filme. Ter me escondido no telhado com Chava e seus amigos, para fugir do recrutamento da guerra civil de El Salvador, em Vozes Inocentes; ter a capacidade de transformar o terror de um campo de concentração em um jogo divertido, como fez Guido em A Vida é Bela; ter brincado com O Menino do Pijama Listrado; ser o jornalista de A Caçada, etc. Não são poucos os exemplos. Na lembrança mais bonita que guardo da minha infância o cinema está lá. O primeiro filme que lembro ter visto foi Cinema Paradiso, com meu pai e meu irmão. Logo o filme que conta a história do amor pelo cinema.
            Um pouco como num sonho: o que a gente vê e faz num sonho não é real, mas isso só sabemos depois, quando acordamos. Enquanto dura o sonho, pensamos que é verdade. Essa ilusão de verdade, que se chama impressão de realidade, foi provavelmente a base do grande sucesso do cinema. O cinema dá a impressão de que é a própria vida que vemos na tela, brigas verdadeiras, amores verdadeiros." (BERNADET, Jean-Claude. O que é cinema. São Paulo: Brasiliense, 1985.)

            Deve ser tão difícil definir o cinema porque ele tem uma característica em comum com os sentimentos: quanto mais se vive (ou faz), menos se entende. Ao mesmo tempo, corajosos são os que insistem.

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